Fragmental

5/03/2005

Sun Certified Java Compiler

Ontem, o Vinci apresentou uma palestra no RioJUG sobre certificação JCP. A palestra estava cheia, assim como estão sempre os fórums dedicados ao assunto.

Que certificação não prova nada, todo mundo sabe, então não vou chover no molhado. Se você gastar cinco minutos lendo os posts em um fórum ou uma lista de discussão, vai perceber que nem mesmo conhecimento da sintaxe de uma linguagem ela prova. Já contei essa história, mas vamos novamente...

Há exatamente um ano atrás eu quis mudar de emprego. Espalhei uns curriculuns e fui a algumas entrevistas. Uma agência de RH especializada em informática aqui no Rio me aplicou mocks de SCJP duas vezes.

Como eu não sou exatamente um newbie em Java e as provas da Sun são muito bestas (compila ou não compila, por que?), me saí relativamente bem nelas. Quando ia para a segunda etapa da seleção, vinha a pergunta da entrevistadora:

- Então, você tem certificação de programador Java?
- Você leu isso no meu curriculum?!?
- Não, mas pelo resultado da prova...
- Não, não tenho não.

E lá ia a proposta de trabalho pela janela. Fiquei tão estressado com isso que liguei para a Sun e pedi meu voucher. Por uma coincidência (se você acredita nisso) a menina da Sun errou meu e-mail e o boleto nunca chegou, nesse meio tempo recebi uma proposta bem melhor de trabalho.

Conclusões que tirei:

Se você precisa de trabalho, tire uma certificação. Não prova nada, não custa tanto assim, é fácil e você fica bem nivelado no mercado.

A única utilidade da certificação é arrumar emprego mais facilmente. Sinceramente eu não vejo diferença entre mostrar um certificado ou escrever um programa simples em Java, mas ninguém tem tempo para aplicar provas concretas num processo seletivo, você não tem tempo de escrever um programa para a seleção e a empresa não tem tempo para ler sei lá quantos programas escritos pelos seus candidatos.

Falando do lado do empregador, eu ainda acredito no papo durante a entrevista. Diz um colega meu que para você se dar bem em qualquer entrevista basta ler a introdução e primeiro capítulo de todos os livros da moda. Ali está todo o resumo do livro, e você pode impressionar seu entrevistador. Cabe ao carinha fazendo perguntas descobrir se o que a pessoa diz que sabe é verdade, e um bom técnico sabe como fazer isso.

Falsos positivos são ótimos, você fala uma coisa irreal pra pessoa e pergutna a opnião dela, o bom enrolador vai te fazer acreditar que aquilo é verdade. Contrate esse cara... como vendedor, não como técnico. Um bom técnico tem que saber um mínimo teórico sobre a tecnologia que utiliza. Saber pelo menos os conceitos de tecnologias novas (bola da vez: AOP, IoC, Java 5 e linguagens de script).

Se você exige proficiência em uma ferramenta específica, faça um teste hands on, mas não deixe de averiguar se a pessoa em questão sabe o que está por trás da ferramenta.

Como tudo que escreve, Joel Spolsky tem um bom texto sobre esse assunto de entrevista.


 
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